Quando você descobriu que existia?

Eu não sei você, mas eu sempre fui uma pessoa muito curiosa sobre como as pessoas funcionavam. Eu desde criança novinha me lembro de ficar parada, calada no meio de outras pessoas e “falar só na minha cabeça” esperando para ver se alguém ia conseguir me ouvir.

Como ninguém ouvia, descobri que aquela voz era somente um pensamento meu, e foi nesse momento que eu entendi que eu podia existir com minhas idéias só na MINHA cabeça, sem que ninguém soubesse, ou pudesse interferir.

Era muito divertido eu bem pequena, sentada debaixo da mesa de centro da sala da minha avó, falando sozinha comentando só na minha cabeça sobre a roupa engraçada da minha tia, rindo sozinha do fato de poder fazer essas peraltices e ninguém ficar sabendo...

Em outros momentos da vida, já com meus 8 anos, essa habilidade de ter todo um mundo “paralelo” na minha cabeça, começava a me trazer alguns PROBLEMAS. Comecei a entender que não era porque uma coisa EXISTIA DE UM JEITO X na minha cabeça que ELA SERIA DESSE JEITO na vida real...

Entendi que quando eu me relacionava com as pessoas, eu tinha que checar se o que eu pensava sobre o mundo se parecia com o que elas também pensavam. Caso não fosse parecido, algo estranho ocorria, e as pessoas brigavam comigo, se chateavam, ou me faziam chorar.

Entendi na prática que para poder SER e FAZER o que eu PENSAVA, teria que aprender a EXPLICAR para os outros PORQUE eu via o mundo desse jeito. E eu não sei vocês, mas me empenhei muito nesse aprendizado, afinal, eu não ficava FELIZ se não pudesse ver na vida real o mundo como eu já VIA na minha cabeça.

Passado mais tempo, já adulta, na faculdade de psicologia entendi que essa inquietação continuava viva dentro de mim. Eu ainda queria entender o que fazia com que as pessoas fossem elas mesmas. O que permitia que cada um tivesse um mundo único e particular, mesmo vivendo na mesma família, na mesma cidade e falando a mesma língua.

E descobri existem TANTAS respostas quanto cabeças pensantes no mundo.

Para alguns o que te faz ser você mesmo é o espírito; para outros, sua mente; para outros, você é o que faz; para outros, você é o que aprendeu na sua cultura; para outros você é um conjunto de estímulos, respostas e comportamentos.

Seja o que for, todos concordam que: quando você entende quem você é, quando reconhece seu funcionamento, quando compreende seus gostos e desejos, quando sabe o que o deixa ou não emocionado, quando se sente ou não competente, quando realiza suas escolhas e quando decide algo de acordo com você mesmo, você está sendo VOCÊ MESMO.

É a sua IDENTIDADE. O seu jeito único, pessoal e intransferível de existir no mundo.

Conhecer a sua é o primeiro passo, mas será que isso é suficiente para viver em sociedade? Descobri na pele que não... Semana que vem eu te explico porque...

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