Planejar ou não planejar? Eis a questão.

Atualizado: Jan 21

O bicho homem historicamente sofre pela sua maior dádiva: a capacidade da consciência de si mesmo.


É o único bicho que sabe que é bicho e exatamente por isso se diferencia deles. Conseguimos processar uma quantidade de informações capaz de categorizar a vida inteira, habilidade que não é vista em nenhum outro ser vivo.


E assim como disse o avô do Homem-aranha: "... com grandes poderes vem grandes responsabilidades".


Uma das maiores responsabilidades que nós assumimos enquanto espécie foi a tentativa do controle do planeta. Ano a ano tentamos dominar o planeta mais um pouco. Seja nos recursos físicos, hídricos, eólicos e mais recentemente até espaciais.


Precisamos de uma habilidade de administração de tais recursos, e vimos o ser humano tentando fazer isso de várias formas ao longo da história. Os estudiosos da administração nos contam que o ser humano tentou comparar o planeta à uma grande máquina, que teria mecanismos de funcionamento completamente previsíveis, calculáveis e capazes de serem controlados.


Mas sabe qual a grande pegadinha?


Você não pode tratar sistemas complexos como se fossem simples sistemas mecânicos. Como assim, Patrícia?


O Planeta Terra, assim como o mundo líquido que venho falando nesse começo de ano, é complexo, incerto, volúvel e simplesmente não conhecemos todas as suas variáveis ainda. Encontramos na natureza muitos exemplos de sistemas complexos, como por exemplo os processos de um sistema digestivo, ou os processos da agricultura.


Tecnicamente falando sobre processos complexos são aqueles em que as variáveis se determinam mutuamente, e que não existe apenas um fator capaz de gerar determinado resultado. Uma praga numa plantação pode ter acontecido por uma infinidade de possibilidades: pode ter sido por deficiência no solo, pelo uso de algum agrotóxico não indicado ou simplesmente porque o vizinho não se cuidou e a sua plantação sofreu junto. Estamos vivendo na saúde pública agora uma situação complexa com o Covid-19.


E você, provavelmente, percebeu na pele ao acompanhar as notícias, que a tomada de decisões enquanto nação não foi tão simples assim no nosso país, e com certeza não foi tão simples em nenhum outro país. Agora, por que será que alguns países conseguiram tomar decisões de uma maneira mais rápida? Ou seja, mesmo que vários países estivessem enfrentando a mesma situação global, alguns conseguiram rapidamente tomar decisões, enquanto outros patinaram feio, como foi o caso do Brasil.


Psicologicamente falando, os países que se organizaram melhor enquanto grupo, unificando seus esforços, tendo líderes comprometidos com a causa, criando rapidamente protocolos de atuação para todas as áreas, conseguiram diminuir a curva do Contágio e voltando suas atenções ao desenvolvimento de uma vacina.


Nós vivemos uma situação em que países estavam literalmente experimentando possibilidades, testando para ver o que dava certo, e é exatamente assim que devemos proceder quando estamos lidando com situações complexas e novas. Precisamos testar até encontrar uma resposta.


É preciso para isso um olhar global e fenomenológico. Traduzindo: menos suposição (achismo) e mais observação. Menos teorias explicativas e mais tomadas de decisão de curto prazo baseadas na experiência de maneira certeira e rápida. Para algumas pessoas e organizações proceder dessa forma é simples, porém para outras é praticamente um suplício.


Você entra em qual categoria? Tem facilidade para descontruir o que já conhece para abrir espaços para novas possibilidades, ou é apegado no que já conheceu ou construiu e não consegue caminhar?


Independente de como tenha se percebido, quero te dizer antes de qualquer coisa que essa dificuldade não é só sua... definitivamente. Nós fomos ensinados enquanto sociedade a acreditar que olhando o passado temos pistas sobre nosso futuro, mas o passado já passou e o máximo que ele nos conta é sobre como já fomos e podemos eventualmente evitar, mas nunca soube como seremos.


Existe uma área de estudo chamada futurologia, mas calma não tem nada a ver com misticismo, são cientistas que se ocupam de compreender as tendências de futuro. Tendências essas nas mais variadas áreas: desde comportamento, economia, finanças, saúde, tecnologia, política e por aí vai.


Eu li um livro muito interessante sobre esse tema chamado "Geração de valor futuro: conectando a estratégia, inovação e o futuro", do autor Daniel Egger, publicado em 2015 pela Editora Elsevier. E confesso que fiquei Encantada com a lógica proposta para possibilidade de prospecção de futuros. Isso mesmo! Do mesmo jeito que prospectamos futuros clientes, que até outra hora não existiam, podemos criar futuros de acordo com os nossos objetivos e esforços.


Existem três passos importantes que o livro propõe:


1- Capitar o "futuro oficial" que já existe, fruto da pesquisa científica e exercícios de simulação;

2- Identificar os campos macro de interesses, em relação a qual "pedaço" do futuro você pretende saber mais;

3- Definir uma pergunta focal e suas ramificações, exercício que serve para que novas simulações possam ser feitas;

4- Validar todos os possibilidades anteriores e implementar as mudanças.

Acredito que conhecer essa metodologia, mesmo que de forma hiper simplificada, possa servir como luz no fim do túnel para quem está completamente perdido e se sentindo numa grande areia movediça nesses tempos de incertezas.


Essa não é a única metodologia. Várias outras já foram criadas e vão sendo validadas e testadas de tempos em tempos, seja no ambiente organizacional, público ou individual. Mas o que tem em comum em todas elas é a perspectiva de que você pode criar o futuro que gostaria de viver, a partir de um exercício simples de imaginação.


Por isso habilidades como criatividade, gerenciamento emocional, agilidade na tomada de decisões e capacidade de não se vincular afetivamente as suas ideias, são essenciais para sobrevivência nos tempos do Mundo Líquido.


Esses aprendizados podem impactar a sua vida pessoal, profissional e nos mais variados papéis sociais que você ocupa. O mais interessante de tudo isso é que todas essas habilidades podem ser desenvolvidas. O que significa que você pode aprender a pensar diferente. O mais mágico de ser humano é nossa capacidade única de aprender, desaprender, melhorar e aprender diferente sempre.


Muito mais do que frases de impacto de “coaches motivacionais de araque”, mudar a sua mentalidade pode efetivamente mudar a maneira com que seu cérebro funciona, o que significa que você pode ser uma pessoa melhor, ensinando o que aprendeu para o próprio cérebro e para o cérebro dos seus colaboradores, parentes e amigos.


E é exatamente por isso que dizemos que você não deve cultuar o passado ou mesmo temer o passado, pois ele já passou. Precisamos olhar para o futuro que desejamos, compreender a vida que gostaríamos de viver no aqui agora, definir os parâmetros, resolver as pendências afetivas e emocionais, criarmos coragem e tomarmos a decisão de que somos nós os capitães da nossa própria história nesse mar de possibilidades incertas.


Só para deixar claro, eu posso te ensinar tudo isso com mais detalhes de acordo com a sua maior necessidade hoje: seja pessoal com a terapia ou profissional com as mentorias e consultorias. Fique à vontade para me procurar e vamos juntes pensar na melhor maneira de você enfrentar esse desafio nadando de braçada nesse mundo líquido.


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