O mito do marketing que garante satisfação.

Atualizado: Jan 21

O mito utilitarista e a ilusão de que o marketing vai garantir a sua satisfação.

Nos últimos cinco anos eu estudei bastante sobre marketing, empreendedorismo e vendas. Foi um estudo muito importante para que eu compreendesse o que leva as pessoas a se mobilizarem ao comportamento de compra. Percebi que as pessoas compram por desejo ou medo. Seu negócio portanto, precisaria se enquadrar em alguma dessas categorias: realização de desejos ou minimização dos medos.

EX: Vendo maquiagem para ficar mais bela ou para reduzir o medo de envelhecer.

Sempre que um novo empreendedor me procurava, buscando compreender o motivo de seu consultório/negócio estar vazio, ou o motivo de não ter crescido o suficiente na sua carreira, a resposta que administração e o marketing dariam é que a pessoa não construiu ou não soube operacionalizar uma estratégia suficientemente boa.

Durante cinco anos eu conversei com mais de 300 pessoas, todas acreditaram que a sua falta de dinheiro necessariamente viria de um não conhecimento sobre essas ciências citadas. Posso dizer com tranquilidade que para um terço delas, esse de fato era o problema, o trabalho portanto era simples, eu explicava a teoria, desenvolvia-se métricas e metas, estruturava-se um cronograma de implementação e a pessoa agia, dessa forma os resultados vinham.

O problema é que para as outras 200 pessoas, esse processo simplesmente NÃO FUNCIONAVA por motivos variados: ou a pessoa tinha medo, ou tinha preguiça, ou não tinha tempo, ou não tinha sorte e alguns poucos casos não tinha vontade. Eu me culpei muito nesse processo, creditava a mim uma suposta incompetência em ensinar. Como se eu fosse o motivo único de sua falta de resultado, e da sua falta de desejo em aprender mais sobre sua situação... Sim, bem narcisista, kkkk ...

Mas a grande questão, é que O BURACO ERA BEM MAIS EMBAIXO.... Nos últimos dois anos portanto, venho me esforçado em compreender o que havia dado errado... Será que essa falta de desejo das pessoas em aprender mais sobre o marketing e implementar nas suas carreiras, era somente porque o tema era algo novo para elas? Porque elas tinham vergonha de se expor? Será que o problema era a "sociedade cruel", ou uma "pessoa mole" demais? Comecei a questionar: por que raios algumas pessoas tinham essas questões resolvidas tão facilmente, enquanto para outras era um processo tão doloroso... Cheguei a algumas reflexões e vou compartilhar com você: O processo da venda, como o conhecemos, só faz sentido em uma sociedade capitalista... Sociedade essa, que na maioria dos casos atualmente é regida por um regime democrático. Dentro dessa prerrogativa, cada pessoa é consciente e responsável pelo seus atos, devendo seguir a lei. Instala-se aí uma percepção de que se alguém não vende, a culpa é somente sua. Lidar com essa responsabilidade, para algumas pessoas é muito doloroso por motivos variados.

Eu como estudiosa do assunto, afirmo que é uma falácia culpar o empreendedor , isoladamente, pelo seu resultado negativo como única instância. Existem inúmeras empresas que "fizeram a lição de casa", e por fatores alheios a sua competência tiveram seus resultados diminuídos. Como por exemplo: a política, a bolsa de valores, o comportamento de compra da sociedade, valorizando determinado produto, serviço ou causa ao longo dos tempos; fora fatores extraordinários como bem vivemos nesse ano de 2020 com o COVID-19.

Por mais que tenhamos consciência de que não temos o controle sobre todos os aspectos, precisamos compreender quais barreiras psicológicas podem atrapalhar a pessoa a alcançar todo o seu potencial dentro das suas possibilidades. Porque a verdade é essa, em muitos casos, temos uma atitude infantil de culpar o mundo lá fora, não nos responsabilizamos por aquilo que poderíamos ter feito melhor, e sofremos mais que o necessário nesses casos.

Em outros momentos, vemos pessoas que foram sistematicamente humilhadas nos raros momentos em que foram criativas, pessoas que foram literalmente impedidas de acreditar que tinham a capacidade de empreender. Não importando, como fator primordial, se isso ocorreu na sua formação acadêmica/ profissional ou antes, na sua formação familiar. O resultado é o mesmo: pessoas medrosas.

Falando então sobre isso especificamente, com a consciência de que nunca estaremos 100% satisfeitos, como diria o Freud ("pai" da psicanálise), mas que podemos treinar e melhorar nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos, para vivermos de maneira mais espontânea criativa, como diria Moreno ("pai" do psicodrama) vos digo que temos muito a aprender.

Enquanto psicodramatista, não sou fatalista quanto ao futuro da humanidade, acredito de verdade, que mesmo que nunca realizemos TODOS os nossos desejos, já que nossa imaginação é infinita e a realidade finita, que possamos ter a cada dia que passa, uma consciência mais ampliada daquilo que torna o nosso caminhar mas leve, humano, sustentável e responsável.

Colocar o marketing portanto, como "salvador da pátria", não faz sentido. Colocá-lo como parte educativa do processo de trocas humanas, dando a ele ética e responsabilidade , me parece a saída mais viável dentro das nossas possibilidades, como fez o americano Seth Godin, criador do conceito do Marketing Autêntico. Essa saída obedece a lógica de melhorar o mundo a partir do que temos, e não de "quebrar tudo" e começar de novo, como pregariam os revolucionários.

Tenho a experiência de perceber que quando esses empreendedores magoados pela vida, ressentidos e medrosos, tiverem um novo significado dessa atividade de se expor, não mais enganando e obrigando pessoas a tomarem decisões desnecessárias, mas agora eticamente, abrindo consciências e ampliando as possibilidades para que a vida das pessoas seja menos pior, vemos um melhor engajamento à esse aprendizado, o que no longo prazo, efetivamente amplia o alcance da MARCA, garante maior credibilidade e de fato, no longo prazo, garante vendas.

Esse casamento do olhar psicológico em relação ao ser humano, com a potencialidade educativa do marketing leva as pessoas a um estado de alegria em relação ao compartilhar com o mundo, aquilo que se faz e se conhece. Fazer um marketing autêntico portanto, nada mais é do que a capacidade de cada pessoa de se relacionar no mundo, de fazer amigos, de conviver e de agregar valor às pessoas resolvendo seus problemas diários. Acho importante dizer que o marketing não vende nada, o que vende alguma coisa é a sua capacidade de se relacionar, de marcar as pessoas com sua maneira de "existir", com seu olhar sobre a vida, sobre os dramas humanos e sobre o cuidado que devemos ter com o mundo e a natureza. Isso não depende de dinheiro, não depende de cursos, não depende de poder, depende sim do autoconhecimento, do interesse genuíno nas PESSOAS, e numa clareza de que somos humanos.

Não tem conclusão nesse texto, não tem regra de bolo, não tem resumo... Mas fica o convite: se conheça, compreenda quem é você, como você vive - isso é a matriz da sua identidade no mundo, de seu agir no mundo e do seu valor na sociedade, o seu fazer marketing sem isso não passa de uma grande mentira.


PS: Nesse link aqui abaixo, o qual sou afiliada, você pode comprar a Obra Principal do Autor Seth Godin, o livro "Isso é Marketing" - que explica de maneira revolucionário como deveríamos compreender o tema.



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