Afinal, o que significa ser uma pessoa Altamente Sensível na prática?

Hoje é o último texto do mês e vou fechar mais um ciclo de temas. Esse provavelmente será o último texto falando sobre as pessoas altamente sensíveis, ao menos por enquanto.

Confesso que minha vontade é aprofundar nessa temática, virar especialista nisso no Brasil e efetivamente transformar a vida de todas as pessoas que, assim como eu, sofreram ou sofrem por serem extremamente sensíveis a qualquer estimulação perceptiva e isso inclui também a consciência de outras pessoas e suas questões, além de todas as grande problemáticas mundiais, como a urgência da pauta da sustentabilidade no mundo.


Mas entendo que criar conteúdo falando somente sobre isso e suas questões pode ser um tanto quanto "maçante" para a maioria das pessoas que não tem essas características de: 1- PROCESSAMENTO CEREBRAL PROFUNDO

Ou seja, pouca coisa é compreendida de maneira superficial, pensamos tudo profundamente - o que faz sentir e pensar com muita intensidade, aprofundamento e velocidade.

2- HIPERESTIMULAÇÃO PERCEPTIVA

Isso é a sensação que temos de não sair do estado de alerta nunca, sempre atentos a tudo à nossa volta, somos estimuláveis aos mínimos detalhes da percepção.

3- EMOCIONALMENTE REATIVOS

Temos uma maior atividade dos neurônios espelho e conseguimos nos impactar com emoções dos outros, positivas e negativas, por isso somos EMPATAS naturais

4- CAPAZ DE PERCEBER ESTÍMULOS SUTIS

Todas as pessoas são capazes de sentir as coisas, mas nós sentimos mais rapidamente até as mínimas coisas.

Como já deve estar claro a todos vocês, é uma vivência extremamente profunda, às vezes cansativa, mal compreendida e que gera uma impressão de que só você é estranho assim. Foi muito comum ao longo da minha trajetória ouvir coisas como: "Caramba! Como você consegue se aprofundar em tantos assuntos diferentes?"; "Porque você precisa estudar tanto?" Ou algo do tipo: "Você não cansa de estar sempre prestando atenção em tudo?"


A resposta que eu tenho para essas questões é que eu simplesmente não consigo ser de outra forma, eu antes atribuiria essas características ao fato de ser filha de psicólogos, de ter muitos professores na minha família, de ter sido extremamente estimulada cognitiva e intelectualmente durante toda a infância, mas hoje eu consigo ter clareza de que tudo isso não passava de um desdobramento dessa característica cerebral que eu possuo.


É óbvio que cada pessoa vai vivenciar essas características na própria história de uma maneira única, mas existem muitos psicólogos descobrindo que somos muito menos únicos e especiais assim - pelo menos o quanto gostaríamos. Digo isso porque essa característica ocorre em mais de 100 espécies animais, ou seja, no mundo todo várias espécies escolheram a alta sensibilidade como estratégia evolutiva.


Isso funciona mais ou menos da seguinte forma:

Existe uma modificação cerebral no DNA das pessoas altamente sensíveis, que representam em média 20% da população. Essa modificação faz com que sejamos mais capazes de identificar perigos eminentes, também nos dá a possibilidade de inovar por termos uma intuição mais apurada e a capacidade de perceber tendências comportamentais no nosso ambiente. Enquanto espécie, essa habilidade garantiria que somente uma pequena parcela da população seja exposta a esses estímulos perigosos, ou simplesmente diferentes. Portanto, não seria inteligente que essa característica existisse em 100% da espécie, afinal de contas seríamos muito mais suscetíveis a perigos e quem sabe até já teriam sido extintos.


O equilíbrio da nossa espécie sugere que essa pequena parte, das pessoas altamente sensíveis, consiga verificar com antecedência padrões futuros de comportamento que são necessários para a evolução da sociedade como um todo. É realmente o verdadeiro teste que a natureza nos propõe: Se aquela pequena parcela da população conseguir lidar com aqueles novos estímulos, é provável que aos poucos o resto da sociedade comece a aprender com os relatos dos PAS e depois até se tornem capazes de identificar esses estímulos também.


E uma coisa que pessoalmente foi muito impactante quando eu vi essa explicação da doutora Elaine. É que eu sempre carreguei dentro de mim a sensação de que eu era cobaia, (kkk) sempre me senti à frente do meu tempo, como se eu fosse capaz de perceber coisas que mais ninguém estava percebendo além de mim, geralmente eram coisas sutis, que envolviam emoções, sentimentos, e até os comportamentos futuros das pessoas.


Era como se eu lesse padrões em coisas muito diferentes e conseguisse unir universos aparentemente dicotômicos por ter uma compreensão extremamente sintética e essencialista de tudo. Eu lembro que quando criança nas aulas da escola eu prestava muita atenção visual dos professores, e eu era tão atenta ao que eles falavam que muitas vezes eu completava mentalmente a próxima palavra que eles diziam antes mesmo de eles terminarem as frases.

E lendo o livro da doutora Elaine sobre as pessoas altamente sensíveis, descobri que esse tipo de comportamento é previsto nesses 20%, e faz parte exatamente da capacidade de ser um empata natural.


Agora, o mundo também precisa das pessoas pouco sensíveis. Imagina só se todos os médicos cirurgiões fossem sensíveis, talvez não teriam cirurgias acontecendo, ou então não teríamos policiais, nem advogados criminalistas, ou qualquer outra profissão que exija uma rotina que envolva conflitos ou situações extremamente estressantes constantemente. Eu tenho plena consciência que existem muitas situações do mundo que exigem que as pessoas sejam mais rígidas, que aguentem altas cargas de estresse, que suportem ataques físicos, psicológicos ou morais, e isso é importante.


O que aprendi então nesse mês me aprofundando sobre essa temática, é que isso diz muito de mim, de como eu vejo o mundo, de como eu processo as informações, de como eu sofro com as situações na vida, E como eu tive uma educação sempre voltada a me fortalecer, permitindo que eu vivesse da melhor maneira possível dentro das minhas possibilidades e características únicas.


Se você que acompanha o meu trabalho e se identificou com isso, se você também sente que poderia ser uma pessoa altamente sensível, eu traduzi o teste que a PHD. Elaine Aeron desenvolveu e que até o momento só existia disponível em inglês. Basta clicar no link abaixo, acessar e descobrir se essa característica faz parte da sua existência assim como faz parte da minha:


https://oferta.patriciagrillipsicologia.com.br/sera-que-sou-uma-pessoa-altamente-sensivel-teste

Em Março nos vemos com uma nova temática!


Fonte desse texto: https://www.youtube.com/watch?v=sEi0VnC0J0Y&t=1931s


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